A NOTICIA EM PRIMEIRA MÃO

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Homem é morto a tiros no município de Capela do Alto Alegre


A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Os atiradores fugiram.


No fim da tarde da quarta-feira, 04, um homem identificado como ‘Sote Guarda’ foi morto a tiros na cidade de Capela do Alto Alegre.
De acordo com informações de populares, alguns homens chegaram de moto realizando vários tiros de arma de fogo no bairro do Açude. 

A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Os atiradores fugiram.

Fonte: http://www.frnoticias.com/

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Jovem joga ácido no pênis do namorado que gravou vídeo íntimo escondido

Vídeo foi parar nas redes sociais
Vídeo foi parar nas redes sociais Foto: Reprodução

Uma adolescente sul-africana jogou ácido no pênis do namorado após descobrir que ele havia gravado um vídeo íntimo escondido que foi parar nas redes sociais. A jovem, cujo nome não pode ser divulgado por ser menor de idade, namorava Humphrey Khoza, de 25 anos, desde dezembro.
"Nunca quis matar o pênis dele. Eu só estava com tanta raiva que tudo o que queria era fazê-lo sentir a mesma dor que eu. Soube do vídeo através de um amigo do colégio e achei que eles estavam brincando, mas aí ví o vídeo e perdi a cabeça", disse a moça ao jornal local Times Live.
Segundo o jornal, Humphrey não avisou que estava gravando um vídeo do casal transando e também não disse que não usava camisinha. "Eu tinha que fazer alguma coisa para mostrar a ele que estava com raiva e também queria machucá-lo para que ele visse que mexeu com a garota errada", afirmou a jovem. Ela procurou uma chave de roda na caixa de ferramentas do pai e acabou encontrando uma garrafa antiga de ácido.
"Peguei a garrafa e fui direto ao lugar que ele costumava beber com os amigos e fiquei com mais raiva quando cheguei lá. Não hesitei em jogar o ácido nele", contou.
O rapaz admitiu que não avisou a namorada sobre o vídeo, mas garante que o sexo foi consensual e não tinha a intenção de divulgar a gravação. "Nós concordamos em fazer sexo, mas ela não sabia que eu estava filmando tudo com o meu notebook. Eu não tinha a intenção de mostrar o vídeo a ninguém e ainda não sei como ele foi parar nas redes sociais", disse Humphreys, que pediu para não ser fotografado pelo jornal local.
Por causa dos ferimentos, o pênis do rapaz sofreu danos irreparáveis e ele agora precisa urinar através de um tubo. Ele foi aconselhado a prestar queixa contra a ex-namorada, mas não pretende seguir em frente. "Mesmo que eu preste queixa será inútil pois isso não trará a minha masculinidade de volta. Ir para a cadeia só arruinará o futuro dela porque ela ainda é jovem e eu não tenho a disposição para ir ao tribunal", contou.
Enquanto isso, a moça disse que está pensando em prestar queixa contra o ex-namorado pela filmagem e divulgação do vídeo íntimo.


Fonte: http://extra.globo.com/

Alunos enfrentam falta de preparo de professores em sala de aula

Segunda reportagem da série especial mostra que falha na formação acadêmica dos professores é um dos principais problemas nas escolas.



Nesta semana, o Jornal Nacional está exibindo uma série de reportagens especiais sobre a situação dos professores no Brasil. Vamos mostrar que um dos principais problemas na qualidade do ensino vem da falha na formação acadêmica.

Pitágoras foi mestre uns 500 anos antes de Cristo, época em que o professor tinha tempo para observar o mundo, fazer descobertas e ensinar.  

No século XXI, Pitágoras é professor no Brasil. Dá aula no Rio de Janeiro e a vida dele não é fácil.
Após a primeira aula, Pitágoras Cyriaco pega de novo a moto, percorre ruas da Zona Norte do Rio, come rapidinho no balcão e chega na segunda escola onde leciona. Pensa que parou por aí? O Pitágoras carioca chega à terceira escola onde ensina matemática para jovens e adultos. “Não se esqueça que amanhã é sábado e amanhã de manhã ainda eu trabalho”, lembra o professor.
É a realidade de boa parte dos colegas dele: dos professores das escolas públicas. Não é à toa que o mestre não tem seguidores. Perguntamos na sala de aula: “alguém aqui quer ser professor?” Ninguém responde.
Ensinar é só parte do trabalho. Ainda tem a preparação de aula, correção de trabalhos e provas. “Para mim fica em torno de umas 250 provas e trabalhos por mês.
E olha que Pitágoras ainda deu sorte. Mesmo sem fazer curso de doutorado, como gostaria, teve boa formação. O pai foi um apaixonado professor de matemática.
Jornal Nacional: E você gosta do seu nome?
Pitágoras Cyriaco, professor de matemática: Adoro o meu nome. Não trocaria.

Ensinar a matéria em que se formou, como o Pitágoras faz, deveria ser norma, mas é quase luxo no Brasil. Aqui, 52% dos professores não têm licenciatura, que é a formação específica na matéria que leciona. Um quarto dos docentes não têm nível superior e muitos dos que chegaram lá arrastam para a faculdade as deficiências do ensino médio.
“A larga maioria dos jovens não quer mais ser professor no Brasil, só 2% e mesmo assim são aqueles que não tiveram um grande desempenho no ensino médio e vê nas licenciaturas o caminho mais fácil de ingressar em um curso superior”, explica o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.
O aluno com dificuldades de ontem se torna o professor com dificuldades amanhã. Esse ciclo vicioso não está sendo rompido nem pelos governantes, nem pelas universidades, segundo a professora Bernadete Gatti. “O professor que estamos formando hoje já está saindo nessa condição de uma formação muito precária”, afirma.
Coordenadora de pesquisas educacionais da Fundação Carlos Chagas, ela analisou profundamente a formação dos professores no país. Descobriu que nas faculdades de pedagogia, sobra teoria e falta conteúdo.
Só uma média de 7,5% das disciplinas aborda as matérias e temas que serão ensinados nas séries iniciais do ensino fundamental. Ou seja " o que ensinar" é deixado de lado. Já nos cursos de licenciatura, em geral acontece o contrário: o "como ensinar” é fraco. Tem mais conteúdo e pouca didática.
“Ter o conhecimento em si de uma disciplina não leva o professor a saber fazer o seu trabalho didático em sala de aula. Eu proponho que se faça uma revolução. Porque, no meu entender, nós precisamos mudar a estrutura formativa e os currículos”, diz Bernadete.
A mistura de formação falha desde o ensino médio, da correria e das carências cria situações como a de professores que simplesmente não leem mais.
“O que mais tem é livro que quero e não tenho condição de comprar nem tempo para ler”, lamenta a professora Ana Lúcia Alencar.
Jornal Nacional: É duro para um professor?
Ronaldo dos Santos, professor: Demais. Como você não lê um livro e pede ao seu aluno para ler um livro?

A consequência é trágica: “na verdade eu nunca vi ela chegando com livro para ler dentro de casa não”, conta uma mãe de aluna.
A distância que separa a escola pública sem livros em Novo Gama de uma escola particular em São Paulo vai muito além dos quilômetros entre as duas cidades. No caso de São Paulo, os alunos também são pobres, a maioria mora em região de favela, mas conseguiu bolsa e estuda em um dos colégios mais tradicionais da cidade.
“Esses garotos chegam e conquistam um espaço pelo mérito e porque recebem uma coisa que é fundamental: escola. Nós oferecemos a eles uma escola”, diz o professor de português Marcelo Donatti.
   
E no centro dela professores bem pagos, de quem se exige o melhor.

Marcelo Donatti, professor de português: Um professor de fato é aquele que estuda o assunto, estuda o conteúdo que ele procura disseminar por aí.
Jornal Nacional: O sr. estuda ainda português?
Marcelo Donatti: Muito.

E o resultado aparece na aula, em estilo tradicional, mas que hipnotiza os alunos.
“A distância entre o aluno e o professor some. Parece que nós estamos todos juntos num diálogo comum. E esse que é o diferencial de uma boa aula”, elogia a aluna Larissa Sousa.
“É o melhor professor que já tive em toda a minha vida. Quando ele apresentou Carlos Drummond, se você presta atenção no que ele está falando, Carlos Drummond está aqui, entendeu?”, ressalta outra aluna.
Fonte: http://g1.globo.com/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quando o Império morreu de sede

Em 1889, uma grave crise hídrica só foi resolvida com a mobilização do povo, uma imprensa combativa e a habilidade de um jovem engenheiro. O governo não durou muito



Rio de Janeiro, capital do Império, início de 1889. O clima é quente. Auge do verão, a cidade alterna períodos de calor e secura com dias de chuvas torrenciais. Não há um sistema de esgoto eficiente. Áreas alagadiças no entorno do centro urbano favorecem a proliferação de mosquitos, hospedeiros de doenças que assolam toda a população desde os tempos da colônia. No final do século XIX, médicos e cientistas já haviam percebido a relação entre epidemias tropicais e a má-gestão da água.
As semanas passam, as chuvas rareiam. O calor aumenta. Com ele, a febre amarela. Aqueles que podem, tomam o trem e sobem a serra de Petrópolis. Aproveitam, como Pedro II e sua família, o clima ameno da cidade imperial. Na corte do Rio de Janeiro, fica quem tem que trabalhar. Ou seja, a maioria da população.
Dois de fevereiro. A epidemia aumenta. A Revista Illustrada, tocada pelo redator-caricaturista Angelo Agostini, propõe “medidas sanitárias” para resolver o problema. Entre elas, aumentar o abastecimento de água. Ao longo do mês, o problema se agrava. No dia 9, o mesmo semanário denuncia a situação alarmante: enquanto o surto de febre mata crianças indefesas, os funcionários do governo não fazem nada além de consultar livros e escrever ofícios.

O carnaval vai, a febre amarela fica
Final de fevereiro. O carnaval se aproxima. Os problemas continuam. Mas o que importa é a festa. O centro das atenções, no início do mês seguinte, é a Rua do Ouvidor. A rua é estreita, mas é ali que passa o Zé Pereira abrindo os festejos, no domingo. Na segunda-feira, Os Tenentes do Diabo. Os últimos a passar, levando o público nas janelas à loucura, na terça-feira, são Os Democráticos e Os Fenianos.

Agora o problema divide a opinião pública. De um lado, partidários do governo, como José do Patrocínio, que abandonou a causa republicana, eternamente grato à princesa Isabel. A tribuna de Patrocínio é o jornalCidade do Rio, que dirige. Do outro lado, críticos do Império, como Rui Barbosa. Seu palanque é o Diário de Notícias, que assumira naquele mesmo mês de março.Na semana seguinte ainda se fala na festa, mas a maior preocupação é outra. A mesma Revista Illustrada abre os olhos do público: o carnaval vai embora, a febre amarela volta para ceifar mais vidas e os ministros, sempre distantes das necessidades reais da população, voltam para o ameno refúgio em Petrópolis. A primeira página da edição de 9 de março traz uma charge que ironiza o ministro da Agricultura, Rodrigo Silva, que tropeça na questão da falta d’água.

O jornal de Patrocínio tenta minimizar a crise. Diz, na edição de 9 de março, que o problema não é deste governo (o jornal governista conseguia livrar a cara de um governo que já tinha quase cinco décadas). A falta d’água, argumentava, é uma questão antiga e, para resolvê-la, é necessário pelo menos um ano de trabalho. Sabe-se que os dois meses de estiagem, aliados às altas temperaturas e ao aumento do consumo de água – reflexo, sobretudo, das questões sanitárias – transformava o problema em uma verdadeira crise de abastecimento. Portanto, a responsabilidade, na visão da imprensa aliada ao governo, era dos administradores anteriores, do clima e, é claro, das pessoas que consumiam água.

O povo vai às ruas pela água
O editorial do Diário de domingo, 10 de março, na primeira página, afronta o governo sem rodeios. A febre amarela, que já tomou a cidade e agora se alastra pelo interior, é apenas uma consequência. A causa, a seca. A solução: “água, água, água”. O governo, diz a matéria, não a coloca ao alcance da população por que não quer. Aponta uma possível saída: as águas da Serra do Comércio, a cerca de sessenta quilômetros ao noroeste da cidade, atual Baixada Fluminense. A redação do jornal ouve alguns especialistas e declara ao público que o problema pode ser resolvido em apenas seis dias. O editorial tem como alvo o Ministério da Agricultura, que barganha os preços de mananciais próximos à corte. Seus donos pedem 470 contos de réis. O ministério oferece quatrocentos – a falta d’água era, para os entes privados que controlavam as suas fontes, uma ótima oportunidade para lucrar.
O jornalista é enfático: “Estamos vendidos à peste por setenta contos de réis” (em anúncios do Jornal do Commercio daquele mesmo ano, o preço de uma chácara em uma região próxima ao centro da cidade podia variar entre trinta e cinquenta contos). Mas não fica nas afirmações. Convoca a população: “Se o povo do Rio encher a rua e disser que quer e terá água, tê-la-á.” A discussão ganha as ruas.

No dia 11, o jornal de Rui critica novamente o governo, divulgando o número de mortos pela febre. A reação popular é imediata. No dia seguinte, terça-feira, 12 de março, cerca de duas mil pessoas marcham no centro da cidade em um protesto pedindo água – uma quantidade nada desprezível para as demonstrações públicas na época. O povo carrega estandartes e cobra providências. O movimento é desqualificado pelo jornal Cidade do Rio, que o chama de “passeata fúnebre”.
Um dia antes do protesto, entretanto, o governo já se via encurralado, situação que só se tornou mais urgente com o povo na rua. Rodrigo Silva procura o Diário de Notícias para entrar em contato com os engenheiros que prometeram acabar com a seca em seis dias. O jornal, controlado por Rui Barbosa, dá os nomes de José Américo dos Santos e de Luís Carlos Barbosa de Oliveira, profissionais experientes. No mesmo dia, o ministro incumbe o primeiro de levar a cabo as obras. Deveria desviar as águas da Serra do Comércio (atual Maciço do Tinguá, na Baixada Fluminense) para as cabeceiras do rio Tinguá, que também abastecia a corte. O editorial da edição de terça-feira, 12 de março, dia do protesto, aplaude a iniciativa do ministro. Elogio precipitado.
O engenheiro explicou ao ministro que conseguiria realizar a obra em pouco tempo, mas em apenas seis dias seria impossível. O ministro, vaidoso, diz que não há negociação. Seis dias ou nada. Obviamente, a tribuna de Rui não deixa barato. Diz que, caso o projeto tenha a previsão superior a seis dias, que a capital morra de doenças e sede – assim pensa o Ministério da Agricultura e, consequentemente, todo o governo. As palavras do editorialista expõem, assim, a aliança entre a inoperância e a arrogância em um dos mais importantes ministérios do Império.
É a oportunidade que o governo esperava para tomar as rédeas da situação. Outros engenheiros aproveitam a chance de entrar em um negócio rentável. Propostas são feitas através dos jornais, estipulando prazos para a solução do problema, que variam entre um mês e quarenta dias. Rodrigo Silva rejeita todas. O ministro anuncia que vai fazer as obras “administrativamente”, ou seja, com pessoal, recursos e projeto do próprio governo, sob a responsabilidade do diretor das águas da corte, Francisco Bicalho. Prazo estipulado: quarenta dias.

Frontin: Água em seis dias
Frontin: Água em seis dias
A solução de Paulo de Frontin

O jornal governista de Patrocínio precipita-se e dá o caso por encerrado. Na primeira página, anuncia: “Está resolvida a questão do abastecimento de água.” Dá mais alguns detalhes do plano do governo, como a limpeza das tubulações de esgoto. Informa ainda que a epidemia diminuiu, desaprovando a atitude de certas pessoas que, “irresponsavelmente”, culpam o governo por tudo. Porém, no mesmo dia, o Diário lembra a promessa feita pelo ministro da Agricultura, há menos de uma semana, no Jornal do Commercio: se alguém apresentar um plano para trazer água à corte no prazo de seis dias, o governo não poupará despesas para concretizá-lo.
Sábado, 16 de março de 1889. Primeira página do Diário de Notícias, “Água em seis dias!” Sob este título, é publicada uma carta assinada por Paulo de Frontin. Seu autor, à época com 39 anos, um professor da primeira instituição do país dedicada à engenharia civil, a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, propõe aumentar o abastecimento de água da cidade em 15 milhões de litros diários (o abastecimento normal, sem a se­ca, era de 70 milhões de litros). Diz que o prazo de seis dias é razoável e dá o preço de oitenta contos de réis. A compra dos mananciais, por sua vez, ficaria em menos de noventa contos.
O jornal de Patrocínio, que também recebeu a carta, faz troça com o ilustre desconhecido que quer, em um prazo menor do que aquele em que o Criador fez o mundo, matar a sede do povo.
Rodrigo Silva, já com a palavra publicamente empenhada e coagido pelo imperador, que o mandou analisar a “proposta do moço”, não tem o que fazer a não ser assinar o contrato.
No dia seguinte, um domingo, o Diário de Notícias afirma que, assinando o contrato com Paulo de Frontin, o Ministério da Agricultura assinou moralmente a própria demissão. Mas Silva não foi ingênuo. Apostou no fracasso de Frontin. Estipulou multas exorbitantes para cada dia de atraso. Não previa nenhuma garantia ao engenheiro no caso de imprevistos naturais ou descumprimentos por parte do governo. Aparentemente, estava mais preocupado em salvar a pele do governo frente às críticas da imprensa e das ruas do que em resolver efetivamente o problema de forma ágil e eficiente.
No mesmo dia parte a primeira turma de engenheiros e operários do Largo de São Francisco, sede da Escola Politécnica, cujo prédio abriga atualmente o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, seguindo para a Serra do Comércio. O governo, que havia prometido ajuda no transporte da tubulação, nada faz. Segundo o jornal situacionista Cidade do Rio, tudo não passou de um mal-entendido. Já percebendo que havia comprado uma briga perdida, o periódico muda o tom. Diz que o povo pediu água e “água há de vir”.
Na segunda-feira, pouco antes das oito da noite, Paulo de Frontin parte do centro com uma comitiva de trezentas pessoas. Depois de uma hora, chegam à estação da estrada de ferro Rio do Ouro, na ponta do Caju. Enquanto os engenheiros conversam na plataforma de embarque, o trem parte. Às pressas, funcionários conseguem uma máquina e vão atrás do trem, fazendo-o parar. Os engenheiros não fazem cerimônia e embarcam em um vagão de bagagem, que é conduzido até o comboio.
O número de trabalhadores ainda é insuficiente. Os jornais publicam anúncios da Comissão Frontin convocando operários para a obra na serra, pagando cinco mil-réis a diária. Na quarta-feira, dia 20, já são quinhentos trabalhadores que, sob chuvas torrenciais, abrem cinco quilômetros de valas. Todos os dias candidatos se alistam para participar das obras. O leque social que os abrange é vasto. De “simples” trabalhadores braçais e estudantes de engenharia a médicos voluntários, entusiasmados com a iminente vitória da razão científica e da mobilização popular sobre as politicagens do governo central.

Água em seis dias
Na quinta-feira, dia 21, já são quase mil trabalhadores, mesmo sem a ajuda de operários prometidos pelo Império. Em telegrama, o correspondente do Diário de Notícias resume a situação: “Geral êxito, esplêndido triunfo.” No dia seguinte, 350 homens sob a orientação do engenheiro Carlos Sampaio abrem uma vala de quatro quilômetros e fazem uma calha com folhas de zinco ligando a cachoeira de Macuco a um novo reservatório, construído havia apenas dois anos, chamado Barrelão. Frontin organiza e distribui o trabalho em outras subcomissões, que, no mesmo compasso, vão dando cabo do projeto.
No sábado, Frontin descansou.
Os correspondentes enviam mensagens aos seus respectivos jornais e revistas, informando a vitória da empresa. A quantidade de água conseguida pelas obras é superior aos 15 milhões de litros propostos pelo engenheiro. A engenharia oficial, junto com o ministro e o diretor de águas, haviam, por outro lado, sido colocados em xeque. É o que noticia o Diário na edição de domingo, dia 24. Sua edição de segunda-feira, obviamente, tripudia sobre a desmoralizada burocracia imperial. Conclama Rodrigo Silva e Francisco Bicalho a dar vivas a Paulo de Frontin.
O engenheiro chega à corte naquela mesma segunda-feira. Ao contrário do povo, Rodrigo Silva não vai recebê-lo. Muito menos Francisco Bicalho, o responsável pelas águas da corte, que teve oito anos para resolver o problema de abastecimento. Tão falastrão quanto Silva, havia dito uma semana antes que o trabalho não poderia ser feito em menos de seis meses. Mas, tentando se redimir, o governo anuncia um contrato com Frontin para manutenção das obras. O agora ilustre personagem é conduzido com festa pelas ruas do centro, seguindo para a Rua do Ouvidor, onde discursa em frente às redações dos jornais. Entra na sede do Diário de Notícias e diz que a glória é do jornal.
O diário de José do Patrocínio, por sua vez, contemporiza. Na edição de terça-feira, aplaude o engenheiro, mas também louva o governo. Diz que sem o apoio e a compreensão do ministro Rodrigo Silva, os esforços de Frontin seriam inúteis.
A charge publicada no dia 30 de março pela Revista Illustrada, com toda a força das alegorias elaboradas por Angelo Agostini, resume todo o episódio. As águas trazidas por Frontin arrastam toda a ineficiente estrutura do governo, incluindo o ministro tagarela.
Pouco mais de seis meses depois o Império cairia, efeito de um movimento de militares descontentes e republicanos conspiradores. Mas suas engrenagens ineficazes já haviam sido expostas ao público por um desconhecido engenheiro e 17 milhões de litros de água. Em apenas seis dias.
Rodrigo Elias é editor e Marcello Scarrone é pesquisador da Revista de História da Biblioteca Nacional. Uma versão anterior deste artigo foi publicada na revista Nossa História, em setembro de 2004.

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/

Rota aérea entre São Paulo e Feira de Santana liga interior do estado a mais de 50 destinos

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Com o voo inaugural realizado entre Feira de Santana, a 116 quilômetros de Salvador, e Campinas, no estado de São Paulo, nesta segunda-feira (2), a população do interior baiano ganhou nova opção de viagem sem passar pelo tradicional aeroporto da capital. A rota, que começou a operar já partir desta segunda, é oferecida pela companhia Azul Linhas Aéreas, de segunda a sexta-feira, com saídas de Campinas às 12h16, e partidas de Feira de Santana às 14h. O governador Rui Costa, o secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, empresários e representantes da Azul estiveram a bordo do primeiro avião a fazer oficialmente a rota. Com capacidade para 106 passageiros, a aeronave fabricada no Brasil, pela Embraer, aterrissou no Terminal João Durval Carneiro, em Feira, por volta das 13h30. Quem optar por esse voo, pode fazer a opção de, a partir de São Paulo, voar para mais de 50 conexões em destinos nacionais, além dos Estados Unidos, pela mesma companhia.

Fonte: http://www.cansancao.net.br/

Dilma decide tirar Graça Foster da presidência da Petrobras, diz jornal

'Folha de São Paulo' afirma que perdas com corrupção pesaram para a decisão da presidente. Nome do substituto ainda está em estudo'

TROCA A presidente da Petrobras, Graça Foster. O procurador Rodrigo Janot pediu o afastamento da diretoria da empresa (Foto: Sergio Moraes/Reuters)
A presidente da PetrobrasGraça Foster, será substituída no cargo e já foi comunicada da decisão pelo Palácio do Planalto. A informação é do jornal Folha de São Paulo. A presidenteDilma Rousseff bem que tentou segurá-la na chefia da estatal, mas se convenceu de que ficou insustentável diante das denúncias de corrupção feitas na Operação Lava Jato. O Planalto, por enquanto, não confirma.
De acordo com a Folha, pesou para a decisão de Dilma a divulgação na semana passada de que a Petrobras deveria baixar seus ativos em R$ 88 bilhões por conta de atos de corrupção e ineficiência no planejamento e execução de projetos. A presidente não ficou nada contente com o vazamento do número, que não entrou no balanço divulgado pela Petrobras na semana passada. 
Ainda segundo a Folha, a presidente está preocupada pessoalmente com Graça, que sempre foi de sua confiança. Os relatos são de que a executiva está sob forte pressão emocional por conta das investigações do escândalo.

O nome do substituto, de acordo com a publicação, ainda está em estudo. Ao Blog do Camarotti, no G1, interlocutores da presidente afirmaram que a substituição será feita quando o governo encontrar um substituto com perfil adequado. "Estamos em busca de um herói para assumir a Petrobras, mas está difícil", afirmou um parlamentar petista com livre trânsito no Palácio do Planalto ao blog. 

Reportagem publicada em ÉPOCA desta semana mostra que a executiva chegou ao topo da Petrobras com fama de eficiente. Mas, depois de três anos, muitos escândalos e ao menos dois pedidos de demissão (rejeitados pela presidente Dilma), deve deixá-la sob a pior crise de sua história. Um executivo graduado do setor de petróleo, ouvido pela reportagem, resume assim a situação de Graça: “Eu não aceitava esse trabalho nem por todo o dinheiro do mundo”.
Fonte: http://epoca.globo.com/

Aumenta o número de professores que abandonam as salas de aula


O Jornal Nacional começa a apresentar nesta segunda-feira (02), uma série especial de reportagens sobre a situação dos professores no Brasil.
É uma profissão que todo mundo elogia, todo mundo concorda que é fundamental, mas que tem despertado o interesse de um número cada vez menor de brasileiros. Os motivos disso estão em discussão na reportagem da Graziela Azevedo e do Ronaldo de Sousa.
O Brasil tem uma necessidade urgente na escola. O país tem uma promessa: "Nosso lema será: Brasil pátria educadora”, afirmou a presidente Dilma Rousseff no discurso de posse.
E um grande desafio: “O apagão já começou há muito tempo. O déficit de professores nas áreas de química, física, matemática e biologia é da ordem de 150 mil professores” conta o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.

“Eu fiquei dois anos sem professor de matemática. Na 5° e na 6° série. Então até hoje eu tenho muita dificuldade”, conta a estudante Larissa Souza.
“Fiquei trocando de professor de história na 8° série cinco vezes”, reclama um aluno.
Aqueles que poderiam ser futuros professores também estão sumindo dos cursos universitários de formação.

Acontece nas faculdades particulares: “Na licenciatura de pedagogia, sempre no primeiro semestre é lotada. São 60, quase 70 alunos e vai diminuindo. O pessoal do 6°semestre, nós temos 10 alunos”, explica Carolina Gato, estudante de Matemática e Pedagogia.
Nas universidades públicas a desistência também é notória: “Porque as lacunas começam a aparecer, então coisas que deveriam ter aprendido no ensino médio não aprenderam e aí chega na hora da prova tira zero, tira 2 na prova. Vira uma bola de neve e abandona o curso”, conta Rebeca Omelczuck, estudante de Física.
Mas e quem ficou? Como estão os professores que levaram seus cursos até o fim e estão encarando as salas de aula?
É o que o Ministério Público quer descobrir. Em Novo Gama, município pobre e vizinho à Brasília, as promotoras de justiça mobilizaram mães, pais, servidores públicos e conselheiros da cidade para obter respostas.
A auditoria cívica é o nome que o Ministério Público deu para o trabalho dos cidadãos que querem melhorar a educação na sua comunidade. Um trabalho que ao Jornal Nacional acompanhou.
Trazendo questionários e vontade de conhecer melhor as escolas públicas, eles se espalham. Parte da tarefa é conversar com os professores. As carências vão aparecendo.

“Falta tudo. Igual folha para tirar cópia para a prova, por exemplo. A gente tem que pedir para os meninos, tem que ir comprar. Chove e a sala fica praticamente alagada”, conta a professora Marta Costa Alves.
Uma realidade tão dolorida que as palavras começam a vir acompanhadas de lágrimas.
Marta Giovana Costa Alves, professora: Quando me deparei em uma sala de aula e vi as dificuldades ali eu não queria estar mais ali.

Jornal Nacional: Você se sente sozinha?
Marta: Nossa.
Assim, à flor da pele, a professora confessa não se sentir mais um modelo para os seus alunos.
Marta: A criança tem que olhar pra mim e ver em mim futuros, sonhos. E eu acredito que as crianças não estão conseguindo ver no professor mais isso.
Jornal Nacional: O que elas veem?
Marta: Um professor cansado, desmotivado, triste.

A entrevistadora, que também é professora, desaba junto.
Jornal Nacional: E a senhora chora por que?
Pesquisadora: Porque são 23 anos, quase aposentando, e as palavras dela são as minhas

Depois da entrevista, a professora Marta enxugou as lágrimas e voltou para a sala de aula, mas muita gente que se forma nem chega a entrar em uma. A desvalorização da profissão é o grande motivo. Para ganhar mais com menos estresse, os professores acabam fora das escolas.
A conclusão é de um pesquisador que cruzou os dados de vagas oferecidas e docentes formados ao longo de duas décadas. O levantamento mostrou que, com exceção da disciplina de Física, o número de docentes formados daria para atender a demanda no país.
“Não faltam professores formados então o que está acontecendo é que essas pessoas se formam e ou não ingressam na profissão ou ingressam e se desestimulam e saem. Enquanto um professor formado em nível superior ganhar metade do que ganha um economista, do que ganha um advogado, do que ganha um jornalista, quer dizer, não tem como atrair a pessoa para a profissão”, afirma o pesquisador da USP Marcelino de Rezende Pinto.
Para o novo ministro da Educação a valorização do professor passa por aumento de salário.
“Se você não tiver salários com perspectiva de aumento de salário, você não vai ter as melhores vocações se dedicando ou escolhendo o magistério como sua profissão”, conclui o ministro da Educação Cid Gomes.

O piso da categoria para 40 horas por semana, passou este ano de R$ 1.617 para R$ 1.917. Mas, para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, deveria ser de pelo menos R$ 2.900. Sem falar que nem todos os estados pagam o que a lei determina.
O resultado é o abandono da profissão. Oferta de emprego em empresas e bancos não falta.
“Eles vivem batendo na sua porta, oferecendo salários muito atraentes e que acabam levando muitos colegas da física para outras áreas”, conta o estudante de Física Carlos Otobone.
Mas é na sala de aula que os bons professores precisam estar. Disso ninguém tem dúvida.
“Temos que pensar de fato em uma política integrada que tem como elemento central o professor porque o pessoal discorda de tudo, mas há um consenso: o professor faz a diferença”, diz Marcelino.


Fonte: http://cnte.org.br/